Dor pode ser hereditária?
13/02/2026
Dr. Carlos Marcelo de Barros

Você já ouviu alguém dizer: “minha mãe sentia essa mesma dor” ou “meu pai também teve isso a vida inteira”?
Embora essas frases pareçam apenas coincidências, a ciência mostra que, sim, a dor pode ter uma base hereditária. Isso significa que algumas pessoas podem nascer com uma predisposição genética para desenvolver dores crônicas, como fibromialgia, enxaqueca ou artrite.
Mas é importante esclarecer: predisposição não é sentença. Ter um histórico familiar de dor não significa que você, necessariamente, irá desenvolver o mesmo problema. O que a genética faz é aumentar a sensibilidade ou a chance de que, diante de certos estímulos como estresse, trauma físico, má qualidade do sono ou hábitos prejudiciais, o corpo manifeste a dor de forma mais intensa ou duradoura.
Pesquisas apontam que características genéticas podem influenciar tanto a forma como o sistema nervoso processa estímulos dolorosos quanto a forma como o organismo responde ao tratamento. Isso ajuda a explicar por que duas pessoas, com o mesmo diagnóstico, podem viver experiências tão diferentes com a dor.
Ainda assim, a dor é um fenômeno multifatorial. Ela não depende apenas da carga genética.
Estilo de vida, alimentação, sedentarismo, histórico emocional e até mesmo a forma como a pessoa lida com o estresse são fatores que podem intensificar ou suavizar o quadro. E é justamente por isso que a escuta atenta ao corpo é fundamental.
Dores que se repetem, que aparecem com frequência ou que atrapalham o sono e as atividades diárias não devem ser ignoradas, mesmo que “sempre tenham existido na família”.
Normalizar o sofrimento físico é um erro comum que pode levar à cronificação do problema e dificultar o tratamento.
Cuidar da dor é investigar causas, compreender padrões, identificar influências genéticas e, acima de tudo, construir uma abordagem individualizada. Isso envolve não só medicamentos, mas também mudanças de hábito, atenção à saúde mental, estratégias de movimento, sono reparador e acolhimento contínuo.
Se você sente que carrega uma dor que se repete há anos ou percebe que seu corpo está pedindo ajuda, saiba que é possível interromper esse ciclo. A dor pode fazer parte da sua história, mas não precisa definir o seu futuro.
O cuidado começa com informação, presença e ação. E quando feito com consciência, pode transformar completamente a forma como você vive e sente.
Se quiser entender melhor como o seu histórico familiar pode estar relacionado à sua dor atual, converse com um especialista. A prevenção ainda é a melhor decisão que você pode tomar.
⚕ Dr. Carlos Marcelo de Barros - CRM/MG 39.448
Anestesiologia RQE 16.085 / Área de atuação em Dor RQE 42.108 / Medicina Paliativa RQE 47.014
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